sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Everyboy wants to rule the world (NOT)


Vou tentar dar um tom bem-humorado para esse texto, porque a frustração é tão grande que beira até outros sentimentos menos nobres.
Eu poderia até dar o título para esse post de "grandes analogias infelizes da humanidade", em relação à comparação que eu fiz com a revolução russa. Volto a afirmar que a organização e competência dos estudantes foi ímpar, mas a analogia se mostrou infeliz.
Ao invés disso, dei o nome de uma música do Tears for Fears, se for ver, tears for fears casa bem com o que aconteceu na desocupação da reitoria, e essa foi a primeira música que tocou no rádio do meu carro quando eu estava voltando (muito) decepcionado para casa. Travesseirinho debaixo do braço e muita vontade de largar tudo.
A assembleia marcada para a noite teve início com bastante atraso, mas o pior foi o que aconteceu depois que ela começou. Com a movimentação dos estudantes, muitas pessoas aproveitaram para fazer discursos partidários(coisa que até então não tinha acontecido), o que começou como um "apoio" à ocupação se desdobrou em longas falas.
Depois de mais de duas horas de reunião, foi votado sobre a manutenção ou não da ocupação. Com vitória por 1 voto pró ocupação.
Após mais duas votações, devido ao acirramento de opiniões, a desocupação acabou vencendo por 5 ou 6 votos.
Alguns dos integrantes dos centros acadêmicos votaram a favor da desocupação com uma preocupação super válida. Havia um receio de que invasões policiais se tornem rotina na universidade, já que na última ocupação, a própria reitora Maura Veras pediu a presença dos PMs. A outra justificativa é que durante o fim-de-semana se tornaria mais difícil manter a ocupação, já que muitos estudantes costumam ir para casa. Além do temor de que pudesse haver violência policial.
A minha opinião é que apesar de válidas as justificativas, isso deveria ter sido pensado antes da ocupação, pois seriam coisas iminentes a partir do momento que a decisão foi tomada. Acho a posição no mínimo esquizofrênica, já que muitas das pessoas que votaram pela desocupação na sexta a noite, foram as mesmas a propor a ocupação na quinta-feira de manhã. Não se muda de convicção da noite pro dia.
Decepções a parte, acho que a atitude deixa os estudantes sem muita força para pressionar o Consad, órgão máximo da universidade, já que a ocupação é a última arma dos alunos para tentarem ser ouvidos.
Durante a desocupação, que ocorreu com a mesma rapidez e eficiência que a ocupação, alguns estudantes falaram sobre uma nova ocupação caso as reivindicações sejam ignoradas, o que eu acho quase impossível. Eu mesmo sou contra uma nova ocupação, apesar de continuar apoiando as causas, e achar que deve ser mantido o diálogo com a reitoria, me abstenho totalmente de qualquer manifestação futura.
Fora isso, espero nunca mais ser chamado de companheiro por alguém, minha única companheira é minha namorada, e até ela tá me abandonando pra ir morar fora.

Alguns saldos positivos da ocupação:
-Foi criado um blog ontem e que somente no dia de hoje teve quase 3 mil acessos de pessoas diferentes
-A presença da ocupação foi noticiada aos quatro cantos, e apesar da imprecisão de alguns jornais, ou a parcialidade, o assunto se tornou público
-Apoio de várias entidades e estudantes de outras universidades, esse tipo de coisa tende a unir o movimento estudantil que anda bem fragmentado(só não sei como a notícia da desocupação vai ser recebida por esse pessoal, espero que nada mude)

Fora isso, espero que as reivindicações sejam levadas em conta pelo reitor Dirceu de Mello e pelos padres João Júlio e Rodolfo, da Fundação São Paulo(órgão da igreja católica) que são os outros integrantes do Consad com direito a voto nas decisões. As reivindicações são legítimas e possíveis.

é isso.

2 comentários:

madame disse...

PUC. Todo ano, a mesma história.

Bazzan disse...

é porque a história não é resolvida por quem deveria né